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Semeando Attitude no Campo.'.

Calcários com Mesma Reatividade Podem Reagir Diferentemente no Solo

QUARTA-FEIRA, 2 DE MARÇO DE 2016

Calcários com Mesma Reatividade Podem Reagir Diferentemente no Solo

Quando compramos um calcário queremos que ele tenha velocidade para reagir no solo, ou seja, a rapidez que ele neutraliza a acidez do solo. Chamamos a isto REATIVIDADE DO CALCÁRIO ou de um corretivo. Os calcários possuem determinadas TAXA DE REATIVIDADE, de acordo com as suas frações granulométricas, que vão determinar a ação do mesmo no solo num período de 3 meses, expressa em percentagem (%). Para isto se utiliza peneiras de acordo com as
normas da ABNT. 

PENEIRA ABNT 10         - dimensão >2mm - Taxa de reatividade 0%
PENEIRA ABNT (10-20) - 2mm a 0,84 mm - Taxa de reatividade 20%
PENEIRA ABNT (20-50) - 0,84 A 0,30 mm - Taxa de reatividade 60%
PENEIRA ABNT 50         - <0,30mm            - Taxa de reatividade 100%

A fração do calcário que for retida na Peneira ABNT 10 (partículas maiores que 2mm) não terá efeito significativo na neutralização da acidez. Que 80% da fração peneira ABNT 10-20 e 40% da fração peneira ABNT 20-50 irão continuar reagindo no solo, mas de uma maneira lenta, após o período de 3 meses. Que a fração que passa na peneira ABNT 50 (<0,3mm) vai reagir totalmente no solo em 3 meses.
A fórmula para calcular a reatividade é a seguinte, considerando que 20% é o mesmo que 0,2 (20/100) e 60% é o mesmo que 0,6 (60/100).

RE (%)  =  % ABNT(10-20) X 0,2 +  % ABNT(20-50) X 0,6 +  %ABNT(<50) X 1

% ABNT representa o percentual das diferentes frações granulométricas de um corretivo
0,2 0,6 e 1 representam as taxas de reatividade destas frações granulométricas em relação às respectivas peneiras.
Dois calcários ou mais podem apresentar a mesma reatividade, mas a velocidade de reação no solo pode ser diferente.
Para compreender melhor, façamos um exercício que compare 5 tipos de calcários com as respectivas composições granulometria.

ATENÇÃO:  a intenção deste post é mostrar como comparar os diferentes calcários pela sua reatividade e não nos preocupamos se estão dentro da legislação. Saibam que a legislação exige que 100% passe na peneira ABNT 10, com uma tolerância de 5%, ou seja 95%.


 Calculando a reatividade (RE) de cada um destes calcários, utilizando a fórmula descrita acima, vamos encontrar os seguintes resultados:
Calcário 1: 62%
Calcário 2: 0 %
Calcário 3: 80%
Calcário 4: 80%
Calcário 5: 100%

Vejamos a atuação de todos os calcários deste exercício.
calcário 2 tem uma reatividade de 0%, o que demonstra que não terá nenhuma eficiência no solo pois todo ele ficou retido na peneira ABNT 10. Porque suas partículas são maiores que 2,0mm.

Vimos que os calcários 3 e 4 têm a mesma reatividade no solo, ou seja 80%. Mas existe uma diferença entre eles.
calcário 4 ainda tem um resíduo de 18% para continuar reagindo, pois apenas 20% da peneira ABNT 10-20 e 60% da peneira ABNT 20-50 reagirão em 3 meses.
Vejamos: 12 x 0,2 = 2,4      .'.  12 - 2,4 = 9,6%
                21 x 0,6 = 12,6    .'.  21 - 12,6 = 8,4%
                  9,6  +  8,4 = 18% 

calcário 3, apesar da mesma reatividade do calcário 4 (80%), apresenta nenhum resíduo para continuar reagindo no solo após os 3 meses da aplicação.
                 0 x 0,2 = 0%
                 0 x 0,6 = 0%

calcário 5 passou totalmente na peneira ABNT 50, isto significa que irá reagir totalmente no solo num período de 3 meses.

calcário 1 ficou retido na peneira maior de 2,0mm e os restantes 62% irão reagir no solo em 3 meses, mas não apresenta resíduo para reagir após estes meses.

CONCLUSÕES:
A reatividade significa a percentagem do corretivo que reagirá no solo num período de 3 meses.
A legislação brasileira de corretivos exige para garantia de granulometria o seguinte: os calcários devem passar, no mínimo, 95% na peneira ABNT 10; 70% na peneira ABNT 20 e 50% na peneira ABNT 50. Vejam que a legislação admite uma tolerância de 5% na peneira ABNT 10.


TERÇA-FEIRA, 1 DE DEZEMBRO DE 2015

Interpretando uma Análise de Solo Agrícola (2) - Passo a Passo



Esta publicação é uma continuação da primeira parte de Interpretando uma Análise de Solo Agrícola (1) - Passo a Passo, na qual mostramos algumas conversões de unidades expressas na análise, os cátions básicos e o cálculo da soma de bases. O leitor poderá visualizar esta publicação clicando no link abaixo, antes de continuar a leitura:

2) CALCULANDO A CTC EFETIVA ou (t)


A Capacidade de Troca de Cátions (CTC) efetiva, ou "t" significa a capacidade do solo em reter cátions próximo ao valor do pH natural. Solos com baixa CTC efetiva retém poucos cátions, aumenta as perdas por lixiviação, as adubações potássicas exigem um parcelamento das mesmas. A CTC efetiva mede a quantidade de cargas negativas presentes no solo ao pH natural.
CTC efetiva ou (t) =  SB + Al, valores expressos em cmolc/dm³ ou mmolc/dm³
t = 2,146 + 0,7
t = 2,846 cmolc/dm³

3) CALCULANDO A CTC A pH 7.0


A CTC ou "T" representa a quantidade de cátions adsorvidos a pH 7.0 e deve ser expressa em cmolc/dm³ ou em mmolc/dm³;
CTC a pH 7.0 ou "T" = SB + (H+Al)
T = 2,146 + 3,7
T = 5,846 cmolc/dm³

NOTA: no cálculo da CTC efetiva e da CTC a pH 7.0 os dados encontrados foram expressos em cmolc/dm³ porque, no resultado da análise (Quadro 1.) os nutrientes estão expressos em cmolc/dm³.

4) CALCULANDO A PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO DE BASES (V%) DA CTC A pH 7.0


"V" reflete quanto por cento dos pontos de troca de cátions do complexo coloidal do solo estão ocupados por bases, ou quanto por cento das cargas negativas estão ocupadas por cátions básicos trocáveis. São considerados solos férteis aqueles que apresentam o V% maior que 50% e de baixa fertilidade aqueles com V% menor que 50%. Deve ser expresso em %.
V% = SB x 100 / T
V% = 2,146 x 100 / 5,846
V = 36,70%

Poderemos considerar o nosso solo sendo de baixa fertilidade, o que demonstra a pobreza em cátions básicos trocáveis. Uma calagem torna-se um imperativo para adicionar Ca e Mg e neutralizar o Al trocável. Acima de pH 5,6 o Al deixa de existir. Este V% é muito utilizado, por alguns Estados brasileiros, no cálculo da necessidade de calagem pelo método saturação por bases. Na fórmula de cálculo da calagem este seria o V1 e o V2 seria aquele recomendado para cada cultura de acordo com a pesquisa dos órgãos oficiais.

5) CALCULANDO A SATURAÇÃO POR ALUMÍNIO (m%)


O cálculo da saturação por Al "m" é feito em relação a CTC efetiva ou (t). Deve ser expresso em %.
m% = 100 x teor de Al / CTC efetiva ou "t"
m% = 100 x 0,7 / 2,846
m  = 24,6%

Alguns autores consideram que m% acima de 20% é indício de necessidade de calagem, outros usam 10%.

6) CALCULANDO A SATURAÇÃO DOS CÁTIONS BÁSICOS EM RELAÇÃO A CTC A pH 7.0


A fórmula de cálculo para valores expressos em cmolc/dm³:
% saturação do cátion  = 100 x teor do nutriente em cmolc / CTC a pH 7.0 ou T
no caso de valores expressos em mmolc/dm³:
% saturação do cátion  = 100 x teor do nutriente em cmolc / 10 x CTC a pH 7.0 ou T

% Saturação de Ca =  100 x 1,49 / 5,846 .'. 149/5,846 = 25,48%
% Saturação de Mg =  100 x 0,48 / 5,846 .'.  48/5,846 =  8,2%
% Saturação de K =  100 x 0,076 / 5,846 .'. 7,6/5,846 =  1,3%

O solo em estudo apresenta um desequilíbrio no balanço de saturação dos cátions trocáveis. Alguns autores consideram como balanço ideal para a percentagem de saturação de cátions da CTC a pH 7,0:
Cálcio (Ca) entre 60-70%
Magnésio (Mg) entre 10-20%
Potássio (K) ente 2 a 5%
Pode-se aumentar o Ca e Mg pela calagem e o potássio pela aplicação com cloreto de potássio.
LEIA:  Saturando com potássio (K) a CTC a pH 7.0

7) CALCULANDO AS RELAÇÕES ENTRE OS CÁTIONS


Ca/Mg = 1,49/0,48 =  3:1
Ca/K  = 1,49/0,076 = 20,9
Mg/K  = 0,48/0,076 = 6,3

Alguns consideram relações ideais como 3:1 para Ca/Mg, 9:1 para Ca/K e 3:1 para Mg/K.
Há uma necessidade de aumentar os teores de K neste solo para aproximar os cátions Ca e Mg das relações ideais com K.
LEIA: Importância da Relação Ca/Mg e variações com K


Solos Alcalinos - Como Baixar o pH.

TERÇA-FEIRA, 27 DE SETEMBRO DE 2016

Solos Alcalinos - Como Baixar o pH.


A recuperação de solos alcalinos é mais difícil e leva mais tempo quando comparada à neutralização de solos ácidos. Segundo KIEHL (1979) a pluviosidade baixa acarreta o acúmulo de sais de Ca, de Mg, de K, e carbonato de sódio, de maneira a saturar o complexo coloidal, dando origem à alcalinidade dos solos. Estes solos são característicos das regiões áridas e semiáridas. Segundo o mesmo KIEHL, o solo torna-se alcalino quando a maior parte das cargas negativas dependentes de pH estão saturadas por bases. Estas desalojam o H+ que passa para a solução do solo. Portanto, as bases tomam conta da solução do solo.
Num solo alcalino, pH acima de 8, há a ocorrência de carbonato de cálcio e magnésiolivres e são baixas as disponibilidades dos micronutrientes Mn, Zn, Fe, Cu e do macro P. Notadamente o elemento ferro (Fe), pois sua deficiência limita o processo da fotossíntese, o que chamamos de clorose férrica. A cloroso afeta em primeiro lugar as folhas jovens, as quais ficam amarelas mantendo as nervuras verdes para, finalmente, se tornarem totalmente amareladas. Se não houver uma reposição de ferro, todas as folhas da planta ficam amareladas e, por consequência, a planta terá seu crescimento prejudicado, podendo morrer.
Os solos neutros (pH 7,0) ou alcalinos não contém íons H e Al. Os pontos de troca de cargas encontram-se ocupados por bases trocáveis, pois os íons H e Al foram substituídos na sua grande totalidade. Os íons Al foram convertidos em Al(OH)3. Neste contexto, grande parte das cargas dependentes de pH tornou-se disponível para troca catiônica, com a consequente liberação do íon H+ que se desloca para a solução do solo, o qual reage com os íons OH- para formar água. No processo de troca, o H+ é substituído pelo Ca, Mg, K e outras bases.
Acidificar um solo alcalino não é muito fácil pelas seguintes razões:
1. Os solos alcalinos têm um grande poder tampão, ou seja, eles resistem fortemente às variações do pH. As mudanças no pH são rápidas e o solo volta a ter o valor do pH inicial;
2. Os solos alcalinos contêm frequentemente carbonatos de cálcio e de magnésio. Estes carbonatos reagirão com as adubações acidificantes e as neutralizarão, desta maneira impedirão o pH de baixar.

Então, o que fazer?
Embora a dificuldade de baixar o pH de um solo alcalino, poder-se-á lançar mão das alternativas abaixo, lembrando que isto é lento.


INCORPORAÇÃO DE MATÉRIA ORGÂNICA

É o método mais barato para reduzir o pH do solo. Terras com alto teor de matéria orgânica apresentam um pH mais baixo, bem como contêm grandes quantidades de nutrientes.
Atribuiu-se à matéria orgânica a origem da acidez do solo, pois sua decomposição produz ácidos orgânicos que dariam este caráter ácido ao solo. Os solos ácido estariam saturados de H+ e maior quantidade de Al³. A incorporação de compostagens, turfas seria uma alternativa para baixar o pH. Entretanto, lembre-se que isto não é um processo rápido e que exige tempo para fazer efeito.
Portanto, adicione matéria orgânica no solo, incorporando-a na camada arável. As folhas, galhos, resíduos vegetais quando incorporados no solo reduzem gradualmente o pH. A sua decomposição, pelos micro-organismos do solo, dá origem a produtos ácidos. Mas devemos esperar resultados a longo prazo, pois a decomposição dos resíduos vegetais demora em alterar o solo. Muitos preferem aplicar quantidades anuais de matéria orgânica para baixar o pH. Por outro lado, considere os benefícios que esta matéria orgânica concede ao solo. A formação de lavouras de adubos verdes deverá ser uma prática usual e que ajudará neste processo de baixar o pH. Plante e incorpore as plantas na camada arável do solo.


LEGUMINOSAS PODEM ACIDIFICAR O SOLO

Segundo um trabalho realizado por Grapeggia Jr, Gentil et al., da Universidade de Santa Maria/RS, as leguminosas adicionam grandes quantidades de nitrogênio no solo; porém este nitrogênio sofre a nitrificação, com consequente  lixiviação do nitrato, levando à acidificação do solo em pastagens com leguminosas. O nitrato lixiviado é o responsável pela acidificação do solo. As raízes das leguminosas liberam íons de hidrogênio (H+) ou de oxidrilas (OH-) em virtude da maior absorção de cátions ou ânions. Este desequilíbrio, na absorção de cátions e ânions, faz com que haja uma maior excreção de íons H+ pelas leguminosas, e uma acidificação na zona das raízes. A adição de grandes quantidades de massa verde pelas leguminosas ou seu uso continuado como cobertura, por muito tempo, pode provocar transformações no solo e uma delas é a acidificação.
Existem várias pesquisas sobre  ação das leguminosas na acidificação do solo. Para isto, leia:


ADIÇÃO DE ENXOFRE (S) ELEMENTAR

O enxofre elementar (So) é uma das formas mais eficaz para acidificar os solos que apresentam um pH alcalino. Aplicado no solo, sua absorção pelas plantas acontece depois da oxidação a sulfato - SO4². Este processo ocasiona uma acidificação do solo com a produção de dois mols de H+ para cada mol de So oxidado.
O enxofre é uma alternativa barata, mas mais lenta. O enxofre precisa ser metabolizado pelas bactérias do solo para ser convertido em ácido sulfúrico, e isto é demorado. Para apresentar um resultado perceptível no solo, isto poderá levar meses, pois esta metabolização vai depender da existência no solo da umidade, da quantidade de bactérias presentes, da temperatura, para permitir esta conversão em ácido. O ácido sulfúrico neutraliza o CaCO3, nos solos alcalinos, com um aumento na produção de íons H+. O processo é lento, porém bastante rápido nos solos arenosos.
O enxofre elementar (So) é insolúvel em água e sua transformação em ácido sulfúrico vai depender da sua granulometria. Quanto mais fina for as suas partículas mais rápida será a sua reação no solo. Me parece que existe a forma granulada, mas esta deve ser bem-feita, de modo que a granulação permita que ela se dissolva no solo em contato com a umidade.
O enxofre elementar deve ser incorporado no solo e depois regado. Mas cuidado: pouca ou muita água reduz o processo de oxidação. Durante o período de oxidação o solo deve ser mantido úmido, mas não encharcado. Este processo poderá levar vários meses, se o solo for muito alcalino. O enxofre possui 95% S.

A eficácia da aplicação do enxofre depende dos seguintes fatores:
1. o S deve ser incorporado no solo;
2. deve existir uma população ativa de bactérias para transforma o S em (SO4)². É esta conversão que acidifica o solo;
3. devemos planejar com antecedência a aplicação do S, porque a acidificação é lenta. Não adianta aplicar no plantio, esperando bons resultados. Geralmente, 3 a 12 meses são necessários e isto depende da temperatura do solo e da taxa de umidade;
4. aplicações anuais de S poderão ser requeridas para que o solo permaneça no pH ideal para o desenvolvimento das culturas e ótima disponibilidade dos nutrientes (pH 6 a 6,5).

O sulfato de alumínio age mais depressa, pois produz acidez logo que entra em contato com o solo. O S elementar, como vimos, é mais lento, pois a sua conversão em ácido sulfúrico pelas bactérias é mais lenta. Entretanto, nenhuma forma é capaz de reduzir o pH permanentemente, sendo necessária a reaplicação todos os anos. Além disto, o custo do sulfato de alumínio é maior que o S elementar, bem como a quantidade a aplicar será muito grande.

ADIÇÃO DE ÁCIDO SULFÚRICO EM LUGAR DO ENXÔFRE

Muitos recomendam a substituição do S elementar pelo ácido sulfúrico. Embora a acidificação seja mais rápida, este método apresenta vários inconvenientes, ou seja:
1. sua manipulação é muito perigosa;
2. há necessidade de equipamento especial;
3. seus efeitos são temporários;
4. requer grandes quantidades na aplicação.

APLICAÇÃO DE UREIA REVESTIDA COM ENXOFRE

A ureia revestida com enxofre apresenta bons resultados na diminuição do pH em solos alcalinos. Uma a duas semanas após a aplicação, os efeitos já são sentidos, pois sua ação é rápida. É uma opção para o emprego na lavoura, pois existem fertilizantes que possuem, na sua composição, a ureia revestida com S.

FERTILIZANTES NITROGENADOS QUE ACIDIFICAM O SOLO

O sulfato de amônio pode acidificar o solo, mas o processo é lento. Sua eficiência revela-se inferior àquela do S elementar. Outros fertilizantes como o DAP e o nitrato de amônio podem acidificar o solo.
Fertilizantes como o sulfato de potássio, sulfato de magnésio, sulfato de cálcio, sulfato de zinco, sulfato de manganês não acidificam o solo, não agem sobre o pH.
SILVA, Haren Marcelle de Jesus e outros estudando a utilização do enxofre elementar como alternativa para a acidificação de solos com pH alcalino, chegaram à conclusão que aos 28 dias da incubação do S elementar ocorreu redução linear do pH em solo de textura média argilosa. Concluíram, também, que a aplicação de 2.000 kg/ha reduziu o pH deste solo em 0,55 unidades de pH em 63 dias após a incubação do S elementar (So).

REFERÊNCIA

SILVA,K.M.de J.; SILVA da,D.F.; PEGORARO, R.F.; SANTOS,L.P.da S.; SILVA,F.de J.; SILVEIRA,T.C.; RABELO,J.M. Utilização de Enxofre Elementar como alternativa para Acidificação de Solos com pH Alcalino. FORUM-FEPEG. Disponível em: <http://www.fepeg2014.unimontes.br/sites/default/files/resumos/arquivo_pdf_anais/utilizacao_de_enxofre_elementar_como_alternativa_para_acidificacao_de_solos_com_ph_alcalino._karen.pdf> Acesso em: 21 Set. 2016.

QUINTA-FEIRA, 23 DE MARÇO DE 2017

Quanto cada 1% de CaO e MgO do Calcário Adiciona em Ca e Mg ao Solo


Existe uma maneira de calcular rapidamente quanto cmolc/dm³ de Ca e Mg serão adicionados pelo calcário ao solo agrícola. A recomendação normal de calagem é a aplicação de tantas toneladas de calcário por hectare, com um PRNT de 100% e incorporado na camada de 0-20 cm de solo. Cada 1% de CaO e de MgO, numa tonelada de calcário/ha, incorporado na camada de 0-20 cm, adiciona, respectivamente, 0,01783 cmolc Ca/dm³ e 0,0248 cmolc Mg/dm³ ao solo..

Assim, fica fácil saber quanto destes nutrientes será adicionado ao solo por um
calcário com 36% de CaO e 12% de MgO, por exemplo. Basta multiplicar os respectivos valores, ou seja:
36 de CaO x 0,01783 = 0,64 cmolc Ca/dm³
12 de MgO x 0,0248  = 0,29 cmolc Mg/dm³
Memorizando estas constantes, fica fácil e rápido calcular quanto Ca e Mg é adicionado ao solo.

Como chegamos a estes 0,01783 e 0,0284?

1 tonelada de calcário com 1% de CaO corresponde a 10 kg de CaO, pois 1% em 100 kg = 1 kg CaO e numa tonelada 10 kg. Em 56 kg (CaO) temos 40 kg Ca (massas atômicas).
Em 56 kg CaO (40+16)  temos................ 40 kg de Ca
em 10 kg CaO teremos............................  X kg de Ca
X = 10 x 40  / 56
X = 400 / 56 = 7,147 kg de Ca ou 7.147 g de Ca

1 cmolc de Ca = 0,200 g de Ca (40 em g/2/100)
Então:
1 cmolc Ca equivale a ........................0,200 g Ca
Quantos (Y) cmolc Ca equivalem .... 7.147 g de Ca
Y = 1 x 7.147 / 0,200
Y = 7.147 / 0,200
Y = 35.663 cmolc Ca

Mas temos 1 tonelada de calcário a 1% de CaO para ser aplicado num hectare na camada de 20 cm ou 0,2 m.
1 ha de solo = 100 x 100 = 10.000 m² e na camada de 0,2 m teremos 10.000 x 0,2 = 2.000 m³ ou 2.000.000 dm³
Então:
Em 2.000.000 dm³ temos.......... 35.663 cmolc Ca
em 1 dm³ teremos ..................... Z cmolc Ca
Z = 1 x 35.663  / 2.000.000
Z = 35.663 /2.000.000
Z = 0,01783 cmolc Ca/dm³

Em cada 40,312 kg MgO (24,312 +16) temos ...... 24,312 kg de Mg
Em 10 kg de MgO teremos ..................................   X kg de Mg
X = 10 x 24,312 / 40,312 = 6,031 kg de Mg ou 6.031 g de Mg

1 cmolc de Mg = 0,12156 g de Mg (24,312 g /2 /100)
Assim:
1 cmolc Mg corresponde a ................... 0,12156 g Mg
Quanto (Y) cmolc Mg corresponde ...... 6.031 g Mg
Y = 6.031 x 1 / 0,12156
Y = 49.613,35 cmolc Mg

Adotando o mesmo raciocínio que foi feito para o Ca, em relação ao calcário incorporado na camada de 0-20 cm e por hectare, teremos:
Em 2.000.000 dm³ de solo temos .......... 49.613,35 cmolc Mg
Em 1 dm³ teremos .................................  (Z) cmolc Mg
Z = 1 x 49.613,35 / 2.000.000
Z = 0,0248 cmolc Mg/dm³ 

CONCLUSÃO
Cada 1% de Ca e de MgO do calcário adiciona, por tonelada do corretivo aplicado em 1 ha e incorporado na camada de 0-20 cm, 0,01783 cmolc Ca/dm³ e 0,0248 cmolc Mg/dm³.

TERÇA-FEIRA, 28 DE MARÇO DE 2017

Partindo das Quantidades de Matérias-Primas, Encontrar uma Formulação

Muitas vezes tentamos encontrar uma formulação de fertilizante químico que reponha exatamente as quantidades de nutrientes que nos foram recomendadas. Mas nem sempre conseguimos obter uma formulação que adicione as reais necessidades de nutrientes. Outras vezes, partimos para calcular separadamente as quantidades de N, P2O5 e K2O, usando as respectivas matérias-primas para atingir as quantidades reais
destes nutrientes. Por exemplo, uma recomendação de 666 kg/ha de ureia, 333 kg/ha de supersimples e 250 kg/ha de cloreto de potássio. Quanto corresponde em N, P2O5 e K2O?
Então:
Em 1.000 kg de ureia temos ....................... 450 kg N
em 666 kg de ureia teremos ......................    X kg/ha N
X = 666 x 450 / 1.000
X = 300 kg/ha de N (arredondamos)

Em 1.000 kg de supersimples (SS) temos ........... 180 kg P2O5
Em 333 kg de SS teremos ................................... Y kg/ha P2O5
Y = 333 x 180 / 1.000
Y = 60 kg/ha de P2O5

Em 1.000 kg de cloreto de potássio (KCl) temos ...... 600 kg K2O
Em 250 kg de KCl  teremos ....................................... Z kg/ha K2O
Z = 250 x 600 / 1.000
Z = 150 kg/ha de K2O

Chegamos à conclusão que estas quantidades de matérias-primas fornecem:
300 kg/ha N, 60 kg/ha P2O5 e 150 kg/ha K2O.
Temos, então, uma relação de nutrientes: 300 - 60 - 150
Dividindo pelo menor (60), teremos uma relação simplificada: 5 - 1 - 2,5
Multiplicando por 4 a relação simplificada teremos 20 - 4 - 10
por 5 teremos: 25 - 5 - 12,5 (12 ou 13)
Todas são formulações de fertilizantes. Resta saber se elas existirão para venda no comércio de fertilizantes.
Qual a quantidade?
Para encontrar a quantidade a ser aplicada, basta dividir a necessidade de nutriente pelo seu respectivo valor na formulação e o resultado multiplicar por 100.

Por exemplo, no caso do N (300 kg/ha) numa formulação 20-04-10.
(300 / 20) x 100 = 1.500 kg/ha da formulação 20 - 04 - 10.

Mas vou aplicar apenas 1/3 do N na base e os outros 2/3 em cobertura.

Neste caso, 1/3 de 300 = 100 kg/ha N
As necessidades a serem aplicadas na base serão 100 - 60 - 150. A relação simplificada será:
100/60 - 60/60 - 150/60   ou seja: 1,7 - 1 - 2,5
Multiplicando por 8 a relação simplificada obteremos: 13,6 (14) - 8 - 20
A formulação a ser utilizada será: 14 - 8 - 20
Quantos kg/ha desta formulação?
(60 P2O5 / 8 P2O5) x 100 = 750 kg/ha de 14 - 8 -20

E se for aplicado na base apenas 50% da necessidade total de N? Agora, deixo para o leitor encontrar a solução.

TERÇA-FEIRA, 11 DE ABRIL DE 2017

Como Calcular os Níveis Críticos de P, S e Zn em Função do P-rem

A disponibilidade do fosfato e do sulfato não é uma forma muito simples de determinar, pois depende de como eles ocorrem no solo. Uma série de extratores são utilizados para determinar a solubilidade do fósforo. Por isto, as análises de solo são importantes para a recomendação de uma correta adubação. Para avaliar o P disponível no solo são usadas soluções extratoras. Um método muito usado de
avaliação do P é o Mehlich 1.

O que é fósforo remanescente - P-rem?
O fósforo ocorre no solo na forma de ânion H2PO4 e sua disponibilidade pode ser medida através da capacidade tampão, ou seja, a capacidade que tem o solo de manter certa quantidade de P na solução do solo. A capacidade tampão dos fosfatos e a capacidade máxima de absorção de P pelo solo está ligada ao P-remanescente ou P-rem. Uma quantidade de fósforo é adicionada ao solo, este fica na solução de equilíbrio durante um tempo definido de contato com o solo. Após a adição, mede-se a quantidade de P que ficou remanescente na solução, ou seja, aquela quantidade que não foi absorvida pelo solo.
Se o valor do P-rem é baixo, isto significa que o solo tem alta capacidade de adsorver o P e, assim, alta Capacidade Tampão, significando maior capacidade de devolver o P para solução do solo mantendo o teor de fósforo nesta solução.
Em contrapartida, se o valor do P-rem é alto, o quadro é de baixa adsorção e baixa capacidade tampão. Torna-se mais difícil manter o P em solução. As plantas aproveitam o fósforo que está na solução do solo. Se esta solução apresenta baixos teores de P, torna-se mais difícil elas absorverem suficiente P o que irá limitar o desenvolvimento e a produção final.
O fósforo remanescente é um índice da capacidade de retenção de P pelo solo. Quanto maior a capacidade de retenção, menor será o valor do P-rem, e se relaciona com o teor de argila. O aumento da adsorção de fosfatos, em relação à textura do solo, verifica-se nesta ordem: argila>silte>areia fina>areia grossa. No que diz respeito às argilas, os óxidos de Fe e Al apresentam maior adsorção de fosfatos do que a caulinita. Quanto mais argiloso for um solo, maior será a adsorção de fosfatos e menor os teores de P-rem.
Para conhecer o fósforo remanescente (P-rem) e o Nível Crítico de Fósforo (NCP ou NiCriP) deve ser solicitado aos laboratórios estas avaliações, em função da amostra de solo enviada. É claro que tem um custo para isto, e acredito que todos laboratórios, ou quase todos, estão aptos para realizarem estas análises. Entretanto, se o P-rem for conhecido, poderá ser feito o cálculo do NiCriP e do fósforo relativo (PR).

NiCriP (mg/dm³) = 4,62 + 0,324731 x P-rem + 0,00160568 x (P-rem)²

Conhecendo-se o NiCriP, calcula-se o fósforo relativo (PR %).

O que é fósforo relativo (PR)?
Fósforo relativo (PR) é o teor de fósforo em relação ao nível crítico. A fórmula para cálculo do PR é a seguinte:

PR (%) = 100 x (teor de P Mehlich/NiCriP)

O PR é classificado em faixas para interpretação da disponibilidade de fósforo, segundo Saadi et al. (2000).
Clique aqui  e você poderá visualizar dois exercícios como empregar as fórmulas descritas acima e calcular o NiCriP e o PR%, bem como uma tabela para interpretar o teor disponível de P em função do P-rem.
Da mesma forma, é possível calcular os níveis críticos do S e Zn em função do P-rem, ou seja, NiCriS e NiCriZn.

Nível Crítico de Enxofre (S) - NiCriS em função do P-rem
NiCri S  =  2,78 + 0,193146 • (P-Rem) +  0,00098234 • (P-Rem)²
Nível Crítico de Zinco (Zn) - NiCriZn em função do P-rem
NiCri Zn  =  0,84 + 0,044895 • (P-Rem) +  0,0201273 • (P-Rem)²

REFERÊNCIA

LABORSOLOCapacidade Tampão ou Nível Crítico. Disponível em <http://www.laborsolo.com.br/site/analise-quimica-de-solo/capacidade-tampao-ou-nivel-critico> Acesso em 08 abril 2017.


TERÇA-FEIRA, 23 DE JANEIRO DE 2018

Fertilidade do Solo: Lembretes


Os solos dos cerrados possuem alta acidez e teores baixos de Ca e Mg. Na camada arável há uma pobreza de bases e altos teores de H e Al. Nesta condição, as plantas apresentam problemas no seu desenvolvimento, pois o sistema radicular formado é pouco desenvolvido e suas raízes absorvem menos água e nutrientes. Ocorre, então, baixas produtividade. A calagem, neste caso, torna-se um imperativo, pois além de corrigir a acidez, ela adiciona ao solo Ca e Mg. A preferência seria por um
calcário dolomítico.

Um cuidado deve ser tomado na calagem: manter o equilíbrio entre o Ca e o Mg. O excesso de Ca prejudica a absorção de Mg e vice-versa. A exportação de Ca e Mg pode baixar o pH do solo e o CO² aumenta por causa da atividade das raízes e dos micro-organismos responsáveis pela desnitrificação, pela nitrificação.

A relação K(Ca+Mg) deve ser monitorada, pois quando ela aumenta, o pH do solo baixa e a acidez potencial é aumentada.

Nas leguminosas, a calagem proporciona um aumento do número de nódulos nas raízes e, consequentemente, na fixação do N do ar. Então, há um aumento na disponibilidade de nutrientes, como o P, Ca, Mg e Mo e, por outro lado, uma diminuição de Al e Mn trocáveis no solo.

A supercalagem pode acentuar uma deficiência de K e de micronutrientes, exceto o Mo, bem como um desequilíbrio na relação Ca/Mg. Isto se traduz, na lavoura, como prejuízo ao desenvolvimento das plantas e na produtividade da cultura explorada.

O uso contínuo de calcário calcítico afeta, também, a relação Ca/Mg no solo. Por isto, a necessidade do produtor fazer periodicamente uma análise do solo e seguir a orientação do agrônomo responsável pela assistência técnica da propriedade.

O uso contínuo de corretivos do solo que possuem altos teores de Ca e pouco Mg, contribui para aumentar o teor e a saturação de Ca na CTC do solo, mas não afetou o teor de K e reduziu o de Mg.

O Ca, em solos muito ácidos, cede lugar ao Al, no complexo de troca. Há informações na literatura que a saturação ideal por bases seria de: 65% de Ca, 10-20% de Mg e 5% de K." Quando o Ca está alto, o Al está baixo. Quando o Ca está baixo, o Al está alto."

Concentrações altas de NH4, K, Al³ e Mn contribuem para diminuir a absorção de Ca, acarretando deficiências.

O Mg ajuda na absorção de H2PO4, por isto chamado de " carregador de fósforo."

O uso contínuo de fertilizantes que acidificam o solo pode facilitar a lixiviação de Ca e de Mg.

Trabalhos de pesquisa, no milho, demonstram que quando a relação Ca/Mg é maior que 5:1 há uma redução na produção de matéria seca da parte aérea, em virtude do efeito antagônico do Ca na absorção de Mg. Lembre-se: excesso de Ca diminui a absorção de Mg pela planta e vice-versa.

O aumento de Mg na solução diminui a absorção de Zn e Mn.

Quando recomendamos calagem, devemos levar em consideração a relação Ca/Mg do corretivo. Isto será uma atitude preventiva para evitar desequilíbrio desta relação no solo. Se isto não for levado em conta, poderá ocorrer deficiências nutritivas para as plantas e, consequentemente, na produção agrícola. Além de problemas na fertilidade do solo. Quando recomendamos calcário devemos saber, antes, o teor de Mg no solo.

Os valores encontrados de Ca e Mg, na análise do solo, devem estar associados com a relação Ca/Mg do corretivo, para um perfeito equilíbrio no fornecimento destes nutrientes à planta. Se a relação Ca/Mg é alta na análise do solo, devemos evitar o uso de um calcário calcítico.

Um V = 60% significa que 60% das cargas negativas dos coloides do solo estão com cátions que são nutrientes para as plantas.

Quando se aduba um solo, queremos que os nutrientes adicionados vão para a CTC do solo e que fiquem à disposição da planta. Num solo ácido, se não for feita a calagem e somente adubação, este solo libera Al³ que é prejudicial ao desenvolvimento da planta.

Quanto mais se usa Ca, mais boro (B) a planta demanda. O Ca melhora a absorção de boro.

Na soja, em solos dos Cerrados, a Embrapa aponta que as relações entre os nutrientes Ca, Mg e K apresentem os seguintes valores: Ca/Mg = 3,5 Ca/K = 16 Mg/K = 6 e Ca+Mg = 35 


Interpretando os Conceitos Básicos da Análise do Solo

QUINTA-FEIRA, 18 DE MARÇO DE 2010

Interpretando os Conceitos Básicos da Análise do Solo

Na interpretação de uma análise de solo, vários conceitos básicos são importantes para uma recomendação de fertilizantes e corretivos para determinada cultura; conceitos como a soma de bases (SB), CTC efetiva (t) e CTC a pH 7,0 (T), percentagem de saturação por bases (V%), percentagem de saturação por ácidos (M%), e percentagem de saturação por alumínio (m%), e, é claro, mais os teores de pH em água ou em outro extrator, teor de argila, teores de macronutrientes primários (NPK), de Ca e Mg, e de micronutrientes. Um conjunto de informações necessárias para um bom conhecimento da fertilidade do solo, e, através deles, o ponto de partida para uma recomendação de adubação e correção do solo. Dependendo do laboratório, muitas vezes alguns dados devem ser calculados pelo técnico; daí o objetivo desta postagem.
Para melhor ilustração dos diversos conceitos, partiremos de um exemplo baseado numa informação de dados hipotéticos da análise do solo.


Aqui surgiu um problema: o K está expresso em mg/dm³. A soma de base (SB) é expressa em cmolc/dm³; todos os elementos têm que estar expressos em cmolc/dm³. Sendo assim, o potássio (K) deve ser transformado em cmolc/dm³.
Para converter mg/dm³ de K em cmolc/dm³, multiplica-se por 0,0025582:24 mg de K/dm³ x 0,0025582 = 0,06 cmolc/dm³
Se os outros elementos que fazem parte da "soma de bases" estiverem expressos em mmolc/dm³, a conversão é a seguinte: 24 mg de K/dm³ x 0,025582 = 0,6 mmolc/dm³; ou simplesmente:0,06 cmolc/dm³ x 10 = 0,6 mmolc/dm³. Lembre-se que cmolc/dm³ x 10 = mmolc/dm³.
SOMA DE BASES (SB)
SB = Ca+Mg+K+Na expresso em cmolc/dm³ ou mmolc/dm³.

SB = 0,3+0,1+0,06 = 0,46 cmolc/dm³ ou 4,6 mmolc/dm³.
CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS EFETIVA (t)
t = Ca+Mg+K+Na+Al expresso em cmolc/dm³ ou mmolc/dm³.

t = 0,46+1,3 = 1,76 cmolc/dm³ ou 17,6 mmolc/dm³.
CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS A pH 7,0 (T)
T = Ca+Mg+K+Na+(H+Al) expresso em cmolc/dm³ ou mmolc/dm³.

T = 0,46+5,0 = 5,46 cmolc/dm³ ou 54,6 mmolc/dm³.
PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO POR BASES (V%)
V (%) = (SB x 100) / T

V (%) = (0,46 x 100) / 5,46; V = 8,42%
PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO POR ÁCIDOS (M%)
M (%) = 100-V

M = 100-8,42; M = 91,58%PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO POR ALUMÍNIO (m%)
m (%) = (100 x Al) / t
 
m (%) = (100x1,3) / 1,76; m = 73,86%
ATENÇÃO:
 Cuide para usar corretamente os valores em cmolc/dm³ ou mmolc/dm³. Não misture-os para não chegar a valores incorretos.
Os resultados obtidos acima são descritos no quadro abaixo:


INTERPRETANDO OS RESULTADOS OBTIDOS ACIMA:

1) o solo se caracteriza por uma pobreza muito grande de nutrientes;
2) o solo apresenta um pH excessivamente ácido. Isto é uma limitante para o desenvolvimento das culturas sensíveis à acidez, e à disponibilidade de nutrientes que, por sua vez, já é bastante baixa: a produção da lavoura será limitada por estes fatores. Então, a necessidade imperiosa de proceder-se à correção da acidez e à elevação dos níveis de fertilidade do solo;
3) a CTC efetiva é muito baixa. Os solos, nas condições de muita acidez, apresentam baixa capacidade de reter cátions: as perdas de nutrientes, por lixiviação, são muito grandes. Apesar deste solo apresentar 650 g/kg de argilas, elas devem ser de baixa reatividade: pode ser uma caulinita (1:1) ou óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio;
4) chegamos ao resultado que 73,86% dos pontos de troca estão ocupados pelo alumínio (Al), ou uma percentagem de quanto da CTC efetiva está ocupada pelo alumínio trocável ou acidez trocável; isto provoca sérias limitações no desenvolvimento das lavouras e, consequentemente, à produção das mesmas. Quanto mais ácido é um solo, maior o teor de Al trocável, menor os teores de cátions trocáveis, menor a soma de bases, e uma maior saturação de alumínio;
5) a CTC a pH 7,0 no valor de 5,46 confirma a baixa reatividade das argilas deste solo mesmo que ele contenha 650 g/kg delas;
6) o solo apresenta uma percentagem de saturação por bases (V%) muito baixa, 8,42%. O valor V dá uma idéia de quanto por cento dos pontos de troca de cátions estão ocupados por bases: em outras palavras, quanto por cento das cargas negativas estão ocupadas por Ca, Mg, K, Na, e passíveis de troca a pH 7,0 em comparação com aqueles pontos ocupados por H+Al. Este solo analisado é considerado de fertilidade muito baixa. Uma necessidade alta de calagem será precisa para elevar a saturação de bases. Solos que apresentam valores de V menor que 50% são considerados de baixa fertilidade, enquanto os com V maior que 50% são considerados solos férteis. A saturação de bases (V%) é muito utilizada, em alguns Estados brasileiros, para calcular a necessidade de calagem.
Em postagem posterior será abordado o assunto sobre cálculo da necessidade de calagem, ou seja, as fórmulas utilizadas em alguns Estados do Brasil. Não perca!

Percentagem de Saturação por Bases (V%) na Análise do Solo

TERÇA-FEIRA, 3 DE JULHO DE 2012

Percentagem de Saturação por Bases (V%) na Análise do Solo

Interpretação da Análise do Solo (5)



Em postagens anteriores, abordamos assuntos relacionados ao PH do solo, argila e matéria orgânica, Cátions básicos e CTC's, Acidez trocável, acidez não trocável e percentagem de saturação por alumínio. Estamos aptos a entrar num novo assunto, ou seja, percentagem de saturação por bases (V%), muito utilizada, em alguns Estados, para cálculo da necessidade de calagem. O conhecimento da percentagem de saturação
por bases é muito importante para conhecer o nível de fertilidade do solo. Um solo que apresenta baixo V% significa que existe uma maior adsorção de Al³+ e H+ e quantidades menores dos cátions básicos Ca²+, Mg²+ e K+, adsorvidos nos coloides do solo. O Al³+ tóxico poderá aparecer nos solos ácidos comprometendo o desenvolvimento radicular das plantas e menor absorção de água e nutrientes. O V% indica quanto por cento dos pontos de troca de cátions, nos coloides, estão ocupados por bases, ou, em outras palavras, quanto por cento das cargas negativas estão ocupadas por Ca²+, Mg²+ e K+, em relação aos pontos de troca dos cátions ácidos H+e Al³+. Assim sendo, conhecendo-se o valor do V%, podemos determinar a percentagem de saturação por ácidos (M %). Se um solo tem um valor V = 35%, significa que 65% está ocupado por H+ e Al³+. Por quê?
Utilizando a fórmula: M (%) = 100 - V%.
M = 100 - 35 = 65%
Elevando o V% da CTC a pH7.0 é a mesma coisa que elevar o pH do solo. Com isto há diminuição da saturação por Al³+ e geração de mais pontos de troca de cátions dependentes de pH.
Para calcular a percentagem de saturação por cátions precisamos saber os valores da soma de bases (SB ou S) e a Capacidade de Troca de Cátions a pH7.0 (T). Estes dois valores devem estar expressos em cmolc/dm³ ou em mmolc/dm³. Não pode haver mistura das duas unidades. A fórmula para calcular o V% é a seguinte:

V (%) = (SB x 100) / T

Costuma-se dizer que o solo que apresentar a percentagem de saturação por bases (V%) maior que 50% é considerado um solo fértil. Solos com V menor que 50% seriam chamados de solos não férteis ou de baixa fertilidade. Os solos com V maior que 50% seriam chamados de "eutróficos" ou férteis. São solos ricos em nutrientes, especialmente Ca. A CTC destes solos armazena mais da metade dos cátions básicos.
Os solos com V% menor que 50% seriam os solos "distróficos" ou pouco férteis. Os solos distróficos podem apresentar pobreza de bases trocáveis (Ca) e um alto teor de Al³+ trocável ou uma percentagem de saturação por Al³+ (m%) maior que 50%, o que os caracterizariam como solos "álicos" ou muito pobres, ou seja, Al³+ trocável igual ou maior que 0,3 cmolc/dm³ (igual a 30 mmolc/dm³) e m% igual ou maior que 50%.
Um V% baixo significa que as cargas negativas dos coloides do solo estão adsorvendo mais H+ e Al³+ e pequena quantidade de cátions trocáveis (K+, Ca²+, Mg²+). Nestas condições, o solo será ácido e poderá conter Al³+ em nível de toxidez para a planta.
No Quadro 1, que estamos usando para disponibilizar informações para interpretação da análise do solo, vamos lançar mão dos dados de soma de bases e CTC a pH7.0para calcular a percentagem de saturação por bases (V%) nas amostras 1, 2 e 3. Como eles já foram calculados, conforme explicado no artigo "Cátions Trocáveis e CTC's na Análise do Solo", para visualizar clique aqui:


AMOSTRA 1:
V (%) = (8,28 x 100) / 13,28
V (%) = 828 / 13,28
V = 62,35%
Este solo caracteriza-se como fértil, pois o V% é maior que 50%. Comprova a sua riqueza em nutrientes cálcio e magnésio, pois o teor de cálcio, na análise do solo (quadro 1), é de 6,0 cmolc/dm³ e 2,20 cmolc/dm³ de magnésio. Portanto, 99% da CTC a pH7.0 é ocupada por estes cátions básicos. A necessidade de calagem deve ser muito pequena, apenas para elevar a saturação de cátions. É considerado um solo eutrófico.
Pela Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (CFSEMG), Quadro 2,  este valor V = 62,35% será enquadrado como "bom". Pelo Quadro 3, Seminário de Fertilidade do Solo, (Manaus, 1982), estará classificado como "médio". No RS/SC (Quadro 4) a faixa de interpretação deste V = 62,35% será "baixo".

AMOSTRA 2:
V (%) = (1,68 x 100) / 5,39
V (%) = 168 / 5,39
V = 31,16%
Este solo está dentro do que se chama solo pouco fértil, pois o V% é menor que 50%. A soma de Ca + Mg é de 1,67 cmolc/dm³, o que corresponde a 31,0% da CTC a pH7.0. O restante, 69,0% é preenchido pelos cátions ácidos, principalmente o H+ (66,97%). É um solo com teores baixos de cálcio, magnésio e potássio. O Al³+ ocupa 1,85% da CTC não constituindo um problema de toxidez, pois a percentagem de saturação por alumínio é baixa, ou seja, m = 5,62%.  É um solo distrófico.
Pela CFSEMG, este valor V = 31,16% será enquadrado como "médio". Pelo Seminário de Fertilidade do Solo, (Manaus, 1982), este V = 31,16% estará classificado como "baixo". No RS/SC (Quadro 4) a classificação será "muito baixo".

AMOSTRA 3:
V (%) = (0,89 x 100) / 8,59
V (%) = 89 / 8,59
V = 10,36%
É um solo com pobreza de bases trocáveis (Ca²+ + Mg²+) e com teor muito alto de Al³+ trocável. É um solo "álico" pois possui 2,0 cmolc/dm³ de Al³+ e percentagem de saturação por alumínio (m) maior que 50%. A pobreza de bases é comprovada pela muito baixa participação na CTC a pH7.0, ou seja, 10,36%. O restante, 89,64% são ocupados pelo H+ e Al³+, principalmente o H+ (acidez não trocável) que ocupa 66,35% desta CTC do solo. A calagem é uma prática fundamental e necessária para melhoria da fertilidade do solo, adicionando Ca e Mg e a adubação corretiva com K torna-se indispensável. A calagem, além de adicionar Ca e Mg, vai neutralizar a acidez trocável e a acidez não trocável (H+), gerando cargas negativas não dissociadas.
Pela CFSEMG, este valor V = 10,36% será enquadrado como "muito baixo". Pelo Seminário de Fertilidade do Solo, (Manaus, 1982), este V% estará classificado como "baixo". Nos Estados do RS e SC, o V% será classificado na faixa "muito baixo"
Veja que existe uma diferença de interpretação das faixas de valores V% entre as três tabelas. Por isto que enfatizo sempre a necessidade do técnico ter em mãos as tabelas de recomendação de calagem e de adubação do seu Estado, da sua região.

LEIA: Artigos da Série Interpretação da Análise de Solo
O pH na análise do solo - Interpretação da análise do solo (1)
Argila e matéria orgânica na analise do solo - Interpretação da análise do solo (2)
Cátions trocáveis e as CTC's na análise do solo - Interpretação da análise do solo (3)
Cátions ácidos e saturação por alumínio na análise do solo - Interpretação da análise do solo (4)

REFERÊNCIAS

ALVAREZ V, V.H.; RIBEIRO, A.C.; GUIMARÃES, P.T.G. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais - 5a. aproximação. 1999. Viçosa, Minas Gerais. Disponível em:<http://pt.scribd.com/doc/58701933/5%C2%AA-Aproximacao-Manual-de-Adubacoes-PDF> Acesso em: 13 de jun. 2012.

CARVALHO, J. C. R.; SOUSA, C. S.; SOUSA, C. S. Fertilização e fertilizantes. 2005. Cruz das Almas, Bahia. Universidade Federal da Bahia. Escola de Agronomia. Depto de Química Agrícola e Solos. Disponível em:<http://www.ufrb.edu.br/nutricaomineral/nmp_pg_09/Apostila%20fertilizantes%20e%20fertiliza%E7%E3o.pdf"> Acesso em: 13 de Jun. 2012.

LOPES, A.S.; GUILHERME, L.R.G. Interpretação da Análise do Solo - Conceitos e aplicações. ANDA, São Paulo. Ed. atual. 2004. 51p. Boletim Técnico No 2.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO. COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO - RS/SC. Manual de adubação e calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10ª ed. Porto Alegre, 2004. 400p.  

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