Attitude Agro .'.

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Semeando Attitude no Campo.'.

Prejuízos causados e alternativas para controlar o tombamento no algodão

O tombamento (em muitos casos também a mela) é uma importante doença que ataca o algodoeiro na fase inicial de estabelecimento da cultura. É causada por fungos como Rhizoctonia solani Khun habitantes naturais do solo e que tem distribuição generalizada na cultura do algodão em sucessão à soja, muito comum em áreas de produção de Cerrado. Este fungo ataca sementes e plântulas de algodão e em safras com alta precipitação os sintomas são mais evidentes, levando à perda de estande e necessidade de replantio (GOULART, 2008).
Para o manejo várias práticas são recomendadas. O tratamento de sementes (TS) com fungicidas sistêmicos e protetores, é uma ação indispensável que tem sido adotada pelos produtores apresentando resultado variável de acordo com o produto utilizado e eficiência do tratamento. Além do tratamento de sementes com fungicidas o uso de agentes de controle biológico também é uma alternativa para otimizar o manejo desses fungos de solo e de sementes. Por ser um problema frequente e recorrente, outras formas de aplicação e de produtos tem sido estudadas com o objetivo de garantir melhor estabelecimento da cultura. Um exemplo é a pulverização aérea com fungicidas logo após a emergência bem como o sistema plante e aplique, alternativas que tem sido adotadas para otimizar o manejo do tombamento. Além disso, produtos com ação fisiológica como hormônios e indutores de resistência também vem sendo utilizados como alternativa de manejo.
Atualmente a tendência é de que as sementes já venham tratadas, através do Tratamento de Sementes Industrial (TSI). Porém, uma prática comum que vem sendo adotada pelo produtor é a adição de fungicidas sobretudo do grupo das estrobilurinas ao tratamento de sementes industrial no sentido de otimizar o controle desses fungos. Portanto, o uso de fungicidas, produtos indutores de resistência, fisiológicos e à base de agentes de controle biológico, além de diferentes formas de aplicação, podem ser adotadas para garantir o bom estabelecimento inicial da cultura. Pensando nisso foi realizado um ensaio em Campo Verde, região Sul de Mato Grosso, a fim de testar diferentes produtos e formas de aplicação para tratamento de sementes de algodão. As sementes da cultivar FM 975 WS foram previamente tratadas com o TSI padrão Bayer (2400 mL/100 kg de Cropstar, 600 mL/100 kg de Derosal Plus, 200 mL/100 kg de Baytan e 300 mL/ha de Monceren) (Tabela 1).  O plantio foi feito manualmente em 29/01/2014 com 11 sementes por metro sobre palhada de soja.

Tabela 1. Produtos utilizados no tratamento de sementes de algodão para controle de tombamento. Campo Verde – MT, 2014.
TRATAMENTO/DESCRIÇÃO
DOSE E FORMA DE APLICAÇÃO
1. Testemunha sem TS

2. TSI padrão Bayer

3. TSI Bayer + Priori (TS - Tratamento de Sementes)
200 ml/100 kg de semente
4. TSI Bayer + Soil Set (TS)
1000 mL/ha
5. TSI Bayer + Trichodermil (TS)
20g/ha
6. TSI Bayer + Priori Plante e Aplique
200 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
7. TSI Bayer + Soil Set Plante e Aplique
1000 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
8. TSI Bayer + Soil Set no sulco
1000 mL/ha com volume de 60 L/ha
9. TSI Bayer + Trichodermil no sulco
20 g/ha com volume de 60 L/ha
10. TSI Bayer + Agro Mos após 100% de emergência
2000 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
11. TSI Bayer + Priori após a emergência
200 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
12. TSI Bayer + Soil Set após a emergência
1000 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
13. TSI Bayer + 2 aplicações de Priori (50% e 100% de emergência)
200 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha
14. TSI Bayer + 2 aplicações de Soil Set (50% e 100%) de emergência
1000 mL/ha com volume de calda de 130 L/ha

          Quando se observa o resultado de todos os tratamentos, em relação à testemunha, aos sete e quatorze dias após a emergência, verificou-se que o tratamento industrial padrão Bayer, isoladamente, proporcionou um controle eficiente do tombamento indicando que o tratamento de sementes industrial é uma boa alternativa no manejo da doença. A adição de Priori em todas as formas, seja ao TS, após a emergência ou no plante e aplique, também foi eficiente bem como Soil Set no sulco e em TS e Agro Mos após a emergência. Trichodermil em TS junto com o TSI Bayer foi o que apresentou o maior número de plantas por metro, indicando que agentes de controle biológico podem potencializar o manejo de fungos contribuindo também para reduzir a ocorrência de resistência (Tabela 2). Embora tenha havido diferença significativa no número de plantas não ocorreu grandes falhas nas linhas de plantio e as plantas, mesmo em menor número, nos diferentes tratamentos, ficaram bem distribuídas (Figura 1).
Tabela 2. Número de plantas por metro após tratamento de sementes com diferentes produtos e formas de aplicação na cultura do algodão para controle de tombamento. Campo Verde – MT, 2014.
TRATAMENTO
7 DIAS APÓS A EMERGÊNCIA
TRATAMENTO
14 DIAS APÓS A EMERGÊNCIA
1
5,12B
1
5,21B
7
5,87B
7
5,96B
14
6,08B
14
6,21B
9
6,17B
12
6,29B
12
6,46B
9
6,37B
13
6,96A
13
7,04A
11
7,58A
4
7,38A
8
7,58A
8
7,42A
10
7,62A
11
7,62A
4
7,66A
2
7,71A
2
7,71A
3
7,91A
3
8,00A
10
7,91A
6
8,04A
6
8,12A
5
8,37A
5
8,16A
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Scott e Knott a 5% de probabilidade

Embora tenha havido diferença em relação ao número de plantas por metro, ao se analisar a produção, mesmo os tratamentos que apresentaram menor número de plantas obtiveram produtividade maior que aqueles com maior densidade (Tabela 2). Isso ocorre pela capacidade que a planta de algodão tem de compensar e tolerar certas perdas no campo. Por isso é importante verificar não somente a perda de estande mas também a distribuição das plantas na linha. Portanto, cabe ao produtor a tomada de decisão sobre buscar outras alternativas de tratamento e realização de replantio em caso de perda e estande.

Tabela 2. Produção (arroba de algodão em caroço/ha) após diferentes produtos e formas de aplicação utilizados para controle de tombamento. Campo Verde – MT, 2014.
TRATAMENTO
PRODUÇÃO (@ algodão em caroço/ha)
3
377,63B
5
385,65B
4
389,04B
14
391,51B
9
392,59B
13
400,62A
12
403,00A
2
408,80A
8
408,95A
10
409,47A
6
413,43A
1
414,35A
7
419,56A
11
426,66A
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Scott e Knott a 5% de probabilidade
 O artigo está presente na edição 190 da Cultivar Grandes Culturas. 


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Rita de Cássia Santos; José Ney Lazarini; Elivelton Maciel Biesdorf; Mauricio Claro Silva; Angela Flávia Oliveira; Calebe Farias França Junior; Evandro Marcos Biesdorf; Marcio Goussain

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