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Ervas daninhas: plantas inimigas causam prejuízos que chegam a R$ 9 bilhões

 
Quando o aparecimento não é controlado, a Amaranthus palmeri – identificada pela primeira vez em 2015, no Estado de Mato Grosso – pode provocar perdas no rendimento das culturas agrícolas, chegando a 91% no cultivo de milho, 79% na cultura de soja e 77% no plantio de algodão
As perdas econômicas da agricultura brasileira, ocasionadas pela presença de plantas daninhas resistentes a herbicidas, podem chegar à marca de R$ 9 bilhões, segundo alerta o pesquisador e engenheiro agrônomo Décio Karam, da Unidade Milho e Sorgo (MG) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)..
Mestre em Agronomia e doutor em Weed Science (Ciência de Plantas Daninhas, em tradução livre para o português), ele destaca que esse problema, identificado nos mais diversos sistemas de produção agrícola, ainda é motivo de preocupação considerando que, atualmente, 28 espécies já foram catalogadas como resistentes a herbicidas em diferentes níveis, em todo o território nacional. Ainda aponta para cerca de 50 relatos de resistência semelhante feitos por produtores rurais de várias partes do País.
“A estimativa do custo de resistência, apenas na área de soja no Brasil, está entre R$ 3,7 bilhões e R$ 6 bilhões, somente computando os gastos para o manejo das espécies resistentes. Porém, quando se insere uma perda de 5% devido à competição imposta por essas plantas, os custos chegam a até R$ 9 bilhões”, revela o agrônomo.
Associado a essa perda econômica, ele também cita outro fato significativo em torno das popularmente mais conhecidas como ervas daninhas: a ausência de novos mecanismos de controle e/ou manejo da resistência para os próximos dez anos, levando em conta que os ingredientes ativos dos herbicidas são os mesmos há décadas.
“A buva, o capim-amargoso e o capim pé-de-galinha Amaranthus palmeri (identificado em 2015, no Estado de Mato Grosso) exigem estratégias para prevenir a resistência. A chave é o manejo integrado”, afirma Karam, acrescentando que a entrada dessa última planta “inimiga”, em território mato-grossense, foi causada pelo trânsito de máquinas agrícolas vindas de áreas infestadas.
Buva tem sido uma das plantas daninhas resistentes a herbicidas no Brasil. Foto: Divulgação Embrapa

Milho, soja e algodão

Segundo o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA-MT), quando o aparecimento não é controlado, a Amaranthus pode provocar perdas no rendimento das culturas agrícolas, chegando a 91% no cultivo de milho, 79% na cultura da soja e 77% no plantio de algodão, conforme indica uma bibliografia norte-americana.
Karam também indica outro  fato que merece atenção: a resistência do capim pé-de-galinha ao glifosato. “Em algumas regiões do Brasil, o problema é mais sério que o provocado pelo capim-amargoso”, relata.
De acordo com o agrônomo da Embrapa, é possível prevenir o aparecimento da resistência, conforme destaques abaixo:
  • Rotação de herbicidas com aplicação sequencial, mistura de herbicidas com residual semelhante, aplicação de produtos em escapes e rotação de culturas;
  • Manejo integrado de plantas daninhas (integração dos métodos de controle) com o acompanhamento das mudanças da flora e limpeza dos equipamentos.

Manejo do ‘tiguera’


Pesquisador da Fundação ABC, localizada no Estado do Paraná, Evandro Maschietto comenta que o problema de plantas daninhas com resistência a herbicidas é maior na cultura do milho, após o trigo e a soja.
“O milho voluntário ou tiguera pode provocar perdas de 64,4% na produtividade da soja (considerando a presença de quatro plantas de milho tiguera por metro quadrado). A presença de apenas uma planta por metro quadrado provoca perdas de produtividade de quase 30% na soja”, apresenta.
Planta daninha conhecida como “milho voluntário ou tiguera” em cultivo de soja. Foto: Fernando Adegas/Divulgação Embrapa
Planta daninha conhecida como “milho voluntário ou tiguera” em cultivo de soja. Foto: Fernando Adegas/Divulgação Embrapa
Ele ainda relata sobre ocorrências de azevém resistente, com relatos de produtores que utilizam até 16 litros por hectare de glifosato sem eficiência de controle, além da buva: “Uma única planta pode produzir até 200 mil sementes e essas sementes podem se espalhar facilmente”.
A agressividade do capim-amargoso também preocupa, conforme relata Maschietto, cuja competição com o milho e a soja pode provocar perdas significativas de produtividade.

Entenda como ocorre a resistência

Capim-amargoso também é bastante prejudicial para a lavoura. Foto: Divulgação Embrapa
Capim-amargoso também é bastante prejudicial para a lavoura. Foto: Divulgação Embrapa
Segundo a Embrapa Milho e Sorgo, a resistência é definida como a habilidade herdada de uma planta daninha em sobreviver e reproduzir-se, após a exposição a uma dose de herbicida normalmente letal (dose de bula) para a população natural. “É de ocorrência natural, devido à evolução das plantas daninhas no sentido de se adaptarem às mudanças do ambiente e ao uso das tecnologias agrícolas”.
Na prática, de acordo com a estatal, o surgimento da resistência ocorre pelo processo de seleção de biótipos resistentes, já existentes na população presente nas áreas de produção, por causa de aplicações repetidas e continuadas de um mesmo herbicida ou de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação, durante determinado período de tempo.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo (MG), Disponível no Portal da Revista A Lavoura., da Sociedade Nacional de Agricultura – SNA
Texto originalmente publicado em:
Disponível no Portal da Revista A Lavoura., da Sociedade Nacional de Agricultura – SNA
Autor: Embrapa Milho e Sorgo (MG)

Amaranthus palmeri resistente ao glifosato detectado na Argentina

Pela primeira vez se tem relatos de Amaranthus palmeri apresentando mecanismo de resistência ao glifosato do tipo “non-target-site resistant” (NTSR)
 
Amaranthus palmeri é uma das plantas daninhas mais difíceis de controlar devido suas características biológicas, como a alta capacidade adaptativa por ser dióica (favorece o cruzamento e diversidade genética), por produzir em média cerca de 200 mil sementes por planta, o formato da semente auxilia na rápida disseminação e em condições ideais possui um rápido crescimento (entre 2,5 e 4 cm por dia). Além disso, apresenta resistência a produtos químicos com diferentes mecanismo de ação.
Registros de casos de resistência de A. palmeri a herbicidas já foram feitos nos Estados Unidos, Israel, Brasil e Argentina [1]. O primeiro relato de sua presença no Brasil foi em 2015, no Estado do Mato grosso, e já foi identificado no país biótipos apresentando resistência múltipla ao glifosato (inibidor da EPSPs) e aos inibidores da ALS (Clorimurom-etílico e Cloransulam-metílico).
Os mecanismos de ação dos herbicidas podem ser classificados em duas categorias, sendo elas a “target site resistant” (TSR) que são relacionadas especificamente com o local de ação do herbicida e a “non-target-site resistant” (NTSR) que está relacionada aos meios que reduzem a quantidade de herbicida que chega ao local de ação. O mais comum de ocorrer é o TSR que envolve alteração no gene que codifica a proteína alvo do herbicida. Já o NTSR engloba alteração/redução na absorção e translocação do produto, como também compartimentação e desintoxicação metabólica.


Recentemente, um estudo publicado no jornal “Agricultural and Food Chemistry” relatou a caracterização dos mecanismos de resistência para glifosato de plantas de A. palmeri colhidas em uma lavoura de soja na Argentina.
Através de análises laboratoriais, os resultados confirmaram a resistência ao glifosato, porém não houve evidência de que o mecanismo de resistência foi do tipo TSR. Para averiguar o ocorrido, foi feita uma análise comparativa (em diferentes períodos após o tratamento) entre o potencial de absorção de plantas de A. palmeri suscetíveis e resistentes ao glifosato. Plantas suscetíveis absorveram cerca de 10% a mais de herbicida do que plantas resistentes. Além disso, as plantas suscetíveis translocaram cerca de 20% mais glifosato para o restante da parte aérea e das raízes, enquanto as plantas resistentes retiveram cerca de 60% do herbicida nas folhas tratadas.
Este é o primeiro caso de resistência ao glifosato em A. palmeri envolvendo exclusivamente mecanismos de NTSR. Isso é importante pois viabiliza estudos futuros sobre a biologia molecular do gene que codifica a enzima EPSP, possibilitando que estratégias de manejo da resistência sejam estabelecidas. É necessário que o produtor fique atento quanto a presença de A. palmeri na lavoura. O monitoramento feito periodicamente e a identificação precoce auxilia no controle da disseminação da espécie, evitando perdas significativas na produção.
Considerando a proximidade e intenso intercâmbio entre Brasil e Argentina, o relato de resistência de A. palmeri no país vizinho preocupa: até onde se saiba, não há relatos dessa planta invasora nos estados fronteiriços e a introdução de uma praga resistente seria duplamente um problema para os agricultores no sul do Brasil.
Nota:
Texto originalmente publicado em:
Portal Defesa Vegetal.Net
Autor: Portal Defesa Vegetal.Net - Palma-Bautista et al. (2018)

Argentina: sementes multi-resistentes através da modificação do DNA em milho

 
Rendimentos estáveis, resistentes a doenças e tolerantes a temperaturas mais altas são os requisitos que devem combinar o cereal do futuro. Pesquisadores estudam as regiões do genoma e os mecanismos que são ativados contra patógenos ou choque térmico.
Originário da América Central e domesticado pelo homem nos últimos 10.000 anos, o milho (Zea mays) é um dos três cereais mais cultivados no mundo que, graças à sua capacidade de adaptação, conseguiu consolidar-se em sistemas de produção.
Utilizada tanto para produção humana, animal e biocombustível, entre muitos outros usos industriais, a expansão global dessa cultura está ligada ao melhoramento genético e desenvolvimento de variedades adaptadas às necessidades de cada localidade: hoje o cereal pode ser encontrado das latitudes mais quentes para as mais temperadas e do nível do mar para mais de 3.500 metros.
Sequenciado em 2009 por uma equipe internacional de cientistas, sabe-se agora que o DNA do milho é composto de 32.000 genes inseridos em 10 cromossomos. Esse achado confirmou a complexidade do genoma do cereal, pois 85% de suas sequências genômicas são repetidas várias vezes.
Em outras palavras, o transposão -elemento genética pode mover-se em diferentes partes do genoma, levando consigo parte do ADN que circunda, gerando mutações, e aumenta a variabilidade genética dificulta a sequenciação de ADN. Por causa disso, seu estudo foi um grande desafio.
Gerardo Cervigni é especialista em genômica e trabalha no Centro Conicet de Estudos Fotossintéticos e Bioquímicos , localizado em Rosário-Santa Fé. Lá, ele estuda a estrutura, função e evolução dos genes que compõem o DNA do milho. Com o genoma decifrado, Cervigni pode mapear os genes, saber como eles funcionam e prever as interações que prevalecem.
“A localização exata dos genes é essencial para conhecer sua função”, disse Cervigni e disse: “Com o mapa do milho, completo e ordenado, e através do uso de marcadores moleculares, podemos identificar e associar os genes de resistência de uma doença, peste ou alguma característica de interesse”.
Sabendo exatamente onde estão os genes, será mais fácil para os criadores de plantas criar variedades que produzam mais grãos, maiores, ou que sejam mais tolerantes ao calor extremo ou à seca.A melhoria assistida por marcadores moleculares trabalha diretamente com a informação do DNA. Isso significa que o pesquisador identifica quais genes fornecerão as características desejadas. “Essa seleção pode ser aplicada no estágio de plântulas, então o tempo para obter melhores genótipos é reduzido e os tempos e custos da pesquisa são reduzidos consideravelmente”, disse Cervigni.
Selecionar as melhores características e minimizar a probabilidade de as culturas serem prejudicadas por fatores externos são basicamente os objetivos da genética clássica aplicada aos vegetais. “Saber onde estão os genes que contêm as características de interesse agrícola e como eles funcionam é muito importante para o desenvolvimento futuro das variedades”, disse Marcelo Ferrer, especialista em Recursos Genéticos do INTA.
Segundo Ferrer, o milho cultivado hoje é o resultado de um processo de domesticação, realizado pelos povos indígenas da América, que consistia em selecionar as melhores sementes e descartar o resto.
“Na Argentina, existem mais de 40 tipos de variedades ou diferentes variedades crioulas de milho são cultivadas pelos agricultores desde os tempos antigos e hoje permanecem em algumas regiões do norte do país, como na Quebrada de Humahuaca”, disse Ferrer, que Ele acrescentou: “A adaptação a essas condições climáticas foi possível devido à grande riqueza genética de culturas como milho, batata e feijão”.
Com o avanço da tecnologia e a incorporação de técnicas de melhoramento genético, foi possível obter culturas adaptadas às condições climáticas e de solo de um local.
No entanto, para enriquecer o conhecimento e possíveis melhorias agrícolas que podem ser incorporadas, Ferrer enfatizou a importância de trabalhar com materiais locais como insumos básicos de germoplasma tanto para a criação como para várias pesquisas genéticas básicas para o cultivo.
“Materiais argentinos cultivados há mais de 50 anos continham grande variabilidade genética”, disse Ferrer, acrescentando: “Atualmente, o mais comum – tanto na zona central quanto no resto do país onde o milho em grande escala é produzido – é encontrar lotes plantados apenas com ‘híbridos comerciais’ que são muito produtivos, mas são muito uniformes e, em geral, são vulneráveis, pois resistem ou toleram o ataque de alguma praga ou doença. Isso porque eles perderam a variabilidade que caracterizava seu genoma”.
Desde 1950, o Banco de Germoplasma conserva as sementes INTA Pergamino mais de 2.500 inscrições de milho em todo o país. “Em adição a conservação dos recursos genéticos de um país, o banco de genes, através do trabalho de caracterização e avaliação, permite-nos identificar materiais que suportem factores bióticos e abióticos, adaptada a solos salinos a temperaturas mais elevadas ou falta de água”, exemplificou Ferrer.


Milho Super Resistente
Com uma população que continua a crescer, torna-se imperativo ter colheitas cada vez mais eficientes, produtivas, estáveis ​​e resistentes, tanto pragas, doenças, quanto estresse hídrico – por excesso ou déficit – e efeitos térmicos.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2017, a produção mundial de milho atingiu 1031,86 milhões de toneladas. No entanto, ano após ano, esses valores são modificados por diversas doenças que afetam sua produtividade e a qualidade dos grãos.
Nesse sentido, uma equipe de pesquisadores do INTA Pergamino -Buenos Aires- busca identificar no genoma do milho quais mecanismos são colocados em ação contra o ataque de vários patógenos.
Juliana Iglesias , especialista em genética vegetal do INTA e responsável pelo estudo, utiliza ferramentas de associação genômica para encontrar regiões gênicas do milho que são ativadas e permitir que a planta resista a múltiplas doenças.
Igrejas junto com María Belén Kistner – portadora do INTA-Conicet – têm como objetivo detectar plantas que possuam os maiores atributos genéticos para resistir às doenças mais comuns de interesse econômico.
“Nós nos concentramos na busca e identificação de indivíduos que têm resistência genética a várias doenças, no futuro, para desenvolver variedades que tenham melhor comportamento ao ataque de múltiplos patógenos”, disse Iglesias, acrescentando: “Apostamos que é uma ferramenta para reduzir o uso de produtos fitossanitários e contribuir para sua gestão sustentável”.
Segundo Iglesias, a busca por resistência a múltiplas doenças (MDR) baseia-se na possibilidade de encontrar pontos críticos de resistência (de acordo com o termo acadêmico). “Conhecido como as regiões do genoma em que os genes de resistência acumulam várias doenças, encontrando pontos de acesso, para além de permitir a localização do gene ou grupo de genes que iluminam a resistência a doenças, que irá ajudar no estudo de mecanismos que são lançados contra o ataque de vários patógenos “, explicou.


“Os grupos de genes nos dizer sobre padrões, uma relação entre os hábitos patogênicos e a resposta de defesa ou susceptibilidade pode dar a planta”, analisou Iglesias, que fez um PhD em Biologia Celular e Molecular da Universidade de Estrasburgo, França
Estudos realizados em Pergamino -Buenos Aires- e em Loales -Tucumán- permitiram identificar quais genótipos têm o melhor comportamento para patógenos e doenças. Resultados preliminares mostraram que é possível agrupá-los de acordo com seu comportamento frente a patógenos que possuem o mesmo modo de ataque.
Os patógenos podem ser biotrofos, hemiótrofos e necrotróficos, cada um com mecanismos diferentes para nutrir, infectar e produzir sintomas. Por sua vez, as plantas têm diferentes estratégias de defesa que são colocadas em operação de acordo com o tipo de ataque que recebem.
“Tais doenças, tais como a ferrugem, podridão espiga e pragas gerar respostas de defesa específicos que são devidos ao reconhecimento do agente patogênico que provoca o ataque,” disse biólogo INTA e adicionado: “Com estes resultados, podemos combinar os genes que são activados contra mecanismos similares de ataque e replicar sua estrutura para obter variedades com caracteres melhorados”.
“Estudamos a resposta de saúde de aproximadamente 100 linhas endogâmicas, que fazem parte do Programa de Melhoria do Milho da INTA”, disse Iglesias.
Avaliação das doenças foliares em Pergamino (ferrugem, ferrugem, ferrugem bacteriana, de carvão ou carvão Tang) e Lealistas (cinzento e frustra local), além da informação obtida sobre apodrece espiga e grãos (Fusarium e Aspergillus), permitiu a Uma equipe de pesquisadores identifica genótipos com resistência a mais de uma doença.
Para Cervigni, este é um achado importante no conhecimento geral da cultura. “Podemos estabelecer um protocolo eficiente para caracterização fenotípica e seleção rápida de genótipos, cujos genomas combinam os genes desejáveis ​​necessários para obter melhores resultados na produção de milho”, afirmou.
Fonte: INTA – Informa
Texto originalmente publicado em:
INTA Informa
Autor: INTA

Armadilhas com atrativo alimentar no monitoramento de insetos

 
A amostragem de pragas ainda é tema recorrente entre pesquisadores, técnicos e produtores rurais, seus métodos e sua eficiência estão relacionadas a cultura presente e ao tipo de manejo que se deseja adotar para área em questão. Dentre as técnicas de amostragem de pragas existentes a mais comum delas é a do pano-de-batida (com suas variações), contudo também temos armadilhas com feromônio ou atrativos alimentares.
Recentemente o uso de técnicas de amostragem com atrativos alimentares tem sido empregado dentro da fruticultura e olericultura, porém, dentro das grandes culturas (soja, milho, trigo e algodão) seu uso ainda é limitado e sua eficiência pouco conhecida. Insetos apresentam grande variabilidade espacial e temporal, tendo picos populacionais em função de um determinado fator. Sendo assim, conhecer a entomofauna associada a determinado atrativo alimentar é fator-chave na aplicabilidade desta ferramenta para uma cultura.
O uso correto destes procedimentos de amostragem permite maior acerto no momento de controle, reduzindo as aplicações desnecessárias de defensivos agrícolas ou a utilização de produtos mais seletivos propiciando maior sustentabilidade do ambiente. Diante disto o trabalho teve por objetivo avaliar a entomofauna na sucessão soja-aveia por meio do método de amostragem com uso de armadilhas com atrativo alimentar.


Em trabalho realizado na Área Experimental da Universidade de Cruz Alta, avaliamos a entomofauna local durante a sucessão de culturas soja-aveia no ano de 2017. Em uma área de 10,5 hectares foram instaladas 9 armadilhas com atrativo alimentar a base de oleoresinas e açúcares, perfazendo o perímetro de área.
Os dados obtidos a partir do número de insetos coletados foram separados por família de cada inseto. Após os dados foram submetidos ao teste de normalidade de Anderson-Darling, para os dados que não atenderam o pressuposto do teste, foram transformados a partir da função . A partir da normalização dos dados, estes foram submetidos à análise de variância (ANOVA). Para determinar o esforço amostral, foi utilizada a técnica da rarefação e os estimadores de riqueza Bootstrap, Jackknife 1, Jackknife 2 e Chao 2.
Para identificar o contraste entre as famílias de insetos capturados nas armadilhas, foi utilizado teste T. A correlação de Pearson foi utilizada para detectar relações positivas e negativas entre as famílias capturadas.  Em todas as análises foi utilizado o nível p<0,05 de significância. As estatísticas foram realizadas através do software Excel® e os índices faunísticos foram estimados através do software Past®.
Resultados
Durante o experimento foram capturados 956 indivíduos pertencentes a 10 famílias, sendo elas: Curculionidae, Scabaeidae, Coccinelidae, Noctuidae, Apidae, Chrysomelidae, Syrphidae, Tenebrionidae, Chrysopidae e Pentatomidae. Observou-se através da técnica de rarefação e dos estimadores de riqueza Bootstrap, Jackknife 1 e Chao 2 uma proximidade entre a riqueza de famílias observadas e estimadas, apenas para o estimador Jackknife 2 houve distância, em que este aparentemente indicou maior número de famílias a ser observadas (Figura 1).
Durante os meses de março, abril, final de agosto e início de setembro, verificou-se aumento populacional de indivíduos das famílias Curculionidae, Scarabaeidae, Syrphidae e Noctuidae. Demais indivíduos apresentaram variação populacional com menor expressão (Figura 2).
Insetos Fitófagos. As famílias de insetos fitófagos foram representadas pelas espécies Naupactus spp. (Coleoptera: Curculionidae), Macrodactylus spp. (Coleoptera: Scarabaeidae), Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae), Spodoptera eridanea (Lepidoptera: Noctuidae), Pseudaletia sequax (Lepidoptera: Noctuidae), Helicoverpa armigera (Lepidoptera: Noctuidae), Chrysodeixis includens (Lepidoptera: Noctuidae), Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae), Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae) e Lagria villosa (Coleoptera: Tenebrionidae).
Inimigos naturais. As famílias de controladores biológicos foram representadas pelas espécies Chrysoperla externa (Neuroptera: Chrysopidae), Cicloneda sanguinea (Coleoptera: Coccinelidae), Hipoddamia convergens (Coleotpera: Coccinelidae), Syrphus phaeostigma Wiedemann, 1830 (Diptera: Syrphidae). Polinizadores. Os polinizadores da família Apidae foram representados pela espécie Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae).


Observou-se maior número de insetos fitófagos em comparação a inimigos naturais e polinizadores (Figura 3), isto relaciona-se com o cultivo antecessor e sucessor, a sucessão soja-aveia proporciona alimento disponível para estes indivíduos durante o ano todo, tendo como fator limitante somente as baixas temperaturas durante o inverno, contudo, insetos com maior amplitude térmica são capazes de resistir e alimentar-se em épocas de menor temperatura.
Pelo grande número de indivíduos pertencentes a família Noctuidae e Curculionidae, pode-se dizer que a armadilha com atrativo alimentar a base de oleoresinas e açucares funciona como ferramenta agroecológica no combate a insetos desfolhadores, interferindo no seu ciclo, uma vez que são capturados os adultos. Também sua funcionalidade se destaca pelo sistema de alerta, detectando a presença dos primeiros desfolhadores adultos na área, indicando monitoramento para tomada de decisão.
Através de análise de correlação linear de Pearson (Tabela 1), observou-se relações positivas e negativas entre as famílias amostradas, destacando-se as correlações positivas entre as famílias de coleópteros e entre lepidópteros e himenópteros (Noctuidae e Apidae). Isto é explicado pelas características de dispersão destes indivíduos e época de amostragem, ocorrendo de maneira concomitante na mesma amostra.
A ocorrência concomitante de diferentes espécies de insetos identifica o padrão de biodiversidade de uma área, áreas com menor biodiversidade tendem a ter um pequeno número de espécies e com populações elevadas, isto pode ser observado pelo número abundante de noctuídeos e curculionídeos na área estudada, a sucessão das culturas soja e aveia tornam o padrão de população desta área definido e pouco diverso.
Armadilha do tipo atrativo alimentar constituída por oleoresinas e açucares auxiliou na identificação do padrão de biodiversidade da área de estudo, identificando as espécies nocivas e inimigos naturais presentes, proporcionando maior embasamento para tomada de decisão e construção de planos para o manejo integrado de pragas.
O artigo completo está publicado no periódico científico Amazonian Journal of Agricultural and Environmental Sciences e pode ser acessado através do link.

Autor: Eduardo Engel – Laboratório de Entomologia da Universidade de Cruz Alta/ Grupo de Pesquisa em Fitotecnia – UNICRUZ.
O Grupo de Pesquisa em Fitotecnia liderado pelos Professores Dr. Mauricio P. B. Pasini e Msc. José Luiz Tragnago trabalha com temas como: bioclimatologia e ecofisiologia dos cultivos agrícolas, fitossanidade, irrigação e drenagem e manejo de cultivos agrícolas. Você pode conferir os trabalhos realizados clicando aqui.

Injurias e danos por Bemisia tabaci na cultura da soja

 
De grande importância no contexto econômico mundial, a cultura da soja durante todo o seu desenvolvimento fenológico pode ser atacada por inúmeros insetos-praga, dentre eles a mosca-branca, Bemisia tabaci, se destaca pelo seu potencial de dano e dificuldades de manejo (Figura 1).
Figura 1. Infestação de Bemisia tabaci em soja, infestando folíolo de Soja em Santa Cruz do Sul-RS (Foto: Molecular Insect Lab)
Os danos causados por B. tabaci, tanto pela fase jovem (ninfas) quanto adultos, são diretos e indiretos, de forma direta, devido a sua atividade sugadora, ou seja quando se alimenta este inseto insere seu estilete e suga a seiva, e pela injeção de diversas toxinas causadoras de distúrbios fisiológicos que resultam em murcha e queda de folhas. De forma indireta B. tabaci é prejudicial por ser vetor de diversos tipos de viroses e também pela excreção de uma substancia açucarada a qual favorece a formação do fungo fumagina (Copnodium sp.), este que torna as folhas escuras, acarretando na redução da capacidade fotossintética da planta.
Dentro da gama de danos indiretos causados por B tabaci,  as viroses transmitidas às plantas de soja merecem certa atenção, são elas: a Necrose da Haste (Cowpea míld mottle vírus – CPMMV; Gênero Carlavírus) onde os sintomas iniciais são de difícil identificação, no entanto se tornam bem notáveis quando a floração se aproxima, nesta fase ocorre a queima do broto e necrose da haste causando a morte da planta, outra virose bastante frequente é o Mosaico Anão (Euphorbía mosaíc vírus – EMV; Gênero Begomovirus) em que as plantas de soja infectadas por esse vírus têm o porte bastante afetado e são geralmente anãs. Além disso, apresentam uma espécie de super brotamento com redução e deformação do folíolo (Costa et aI., 1970). Já o Mosaico crespo (Abutílon mosaíc vírus – AbMV; Gênero Begomovirus) as plantas de soja apresentam folhas com mosqueado e com formação de alguma rugosidade e bolhas (Costa et aI., 1970).
Injúrias decorrentes do ataque de mosca-branca em lavoura de soja podem ser observadas na Figura 2.
Figura 2. Danos causados por B. tabaci em soja (Foto: Molecular Insect Lab)
No que diz respeito a amostragem para tomada de decisão sobre o controle desta praga, esta pratica ainda carece de estudos e esclarecimentos. Alguns autores e pesquisadores colocam que os níveis de controle devem ser tomados quando a população de ninfas seja superior a 40 ninfas/ folíolo (Moscardi et al., 2012). Contudo alguns autores enfatizam a importância dentro da amostragem de que seja levada em consideração todas as fases de vida encontradas na lavoura, e tanto ovos, ninfas e adultos sejam quantificados (BYRNE; BELLOWS JUNIOR, 1991).
Tendo em vista a parte comportamental de B. tabaci e a distribuição desta no hospedeiro, a amostragem dos indivíduos deve ser feita ao acaso, e coleta para mensuração deve ser feita no terço médio inferior da planta.
Recomenda-se que a amostragem seja intensificada no florescimento da soja, para evitar maiores prejuízos na formação e enchimento de grãos que posteriormente representarão o rendimento final da lavoura.
Através dos trabalhos realizados pelo Molecular Insect Lab, resultados preliminares indicam que a forma de amostragem de mosca-branca precisa ser revista e, algumas informações acerca da disposição dos indivíduos na planta merecem atenção diferenciada, onde tem sido observado que fases imaturas e adultos ocorrem no terço médio da planta de soja, seguido dos terços inferior e superior. Estes estudos também servirão para mensurar o nível de infestação pertinente a controle da praga.
Assim, pode-se dizer que diminuição de dano vem ao encontro da redução da praga no ecossistema lavoura. Para isso, respeitar algumas medidas culturais como vazio sanitário, eliminação de hospedeiros alternativos (pontes verdes), barreiras físicas, são premissas básicas para a supressão da praga e contribuem para evasão de eventuais surtos populacionais.
Autores: Daniela Moro e Leonardo Patias
Integrantes do Molecular Insect Lab, sob a orientação do Professor PhD Jonas Arnemann, da Universidade Federal de Santa Maria – RS.
Bibliografia citada:
ALMEIDA, A. M. R. Viroses da soja no Brasil: sintomas, etiologia e controle. Londrina: Embrapa Soja, 2008.
BYRNE, D.N.; BELLOWS JUNIOR, T.S. Whitefly biology. Annual Review Entomology, v. 36, p. 431-457, 1991.
MOSCARDI, F.; BUENO, A. F.; SOSA-GOMEZ, D. R.; ROGGIA, S.; HOFFMANN-CAMPO, C. B.; POMARI, A. F.; CORSO, I. C.; YANO, S. A. C. Artrópodes que atacam folhas da soja. In: HOFFMAN- CAMPO, C. B.; CORRÊAFERREIRA, B. S.; MOSCARDI, F. (Ed.). Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes praga. Brasília, DF: Embrapa, 2012. p. 213-334.

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